Arquivo suspenso

Quatro motivos para amar 2010

Posted in música by Marina sem memória on February 23, 2010

Eu não sou dessas de correr atrás do grande sucesso do dia, mas confesso que gostei das novidades de 2010 no meio musical. O ano já começou com quatro bom lançamentos em CDs e outros milhões pipocando na rede. Alguns me chamaram atenção principalmente por serem novidades de bandas que já gostava. Outros, me agarraram pelas músicas.

Realism, The Magnetig Fields

Quando eu ouvi esse CD pela primeira vez, veio aquela sensação imediata de Suburban Kids With Biblical Names: divertido, excêntrico, com muita poesia nas letras e clima de fazenda indie. Fui pesquisar um pouco mais (não me envergonho de dizer que não conhecia) e me deparei com uma banda (ou melhor, um projeto) que existe desde 1990 liderado pelo multinstrumentista-compositor-poeta-produtor-cantor Stephin Merritt.

Bem. Realism é um álbum influenciado pelo folk, estranho e cansativo. Mas interessante. É como um desafio para a nova geração blasé do tipo “Olha, eu também sei fazer folk” de um Merritt que, pelo que vi, é experimentalista ao extremo e flerta, namora e tem casamento intenso com um estilo por ano e, depois, os abandona sem pagar pensão.

Mas falemos das músicas do CD então:  The Dada polka é divertida, You must be out or your mind é melancólica, I don’t know what to say é triste. Em resumo, é um disco corrosivo para pessoas emotivas, mas doce.

Projeto pessoal para o futuro: dilacerar o tríptico musical 69 love songs, de 1999. Três álbuns, 69 músicas (23 por CD) e muita dor de cotovelo. E pop, o que é melhor. Porque sempre que encontro uma música favorita de um um hippie-indie desses descubro que as outras do mesmo CD são muito parecidas.

Heart on my on, Basia Bulat

E quando eu encho o peito para criticar o folk, me aparece a Basia Bulat com um novo CD. E meus argumentos vão por terra, porque essa canadense me emociona desde Oh my darling (2007). Mas, em meu favor, tenho a voz magnífica, o ritmo marcado  e a consciência pop que ela tem de música: usa bem dos ganchos, bridges, refrões levando a um crescendo compositivo. Toda canção dela parece ter uma meta bem definida.

Temos Heart of my on, que dá título ao CD, que é o exemplo perfeito disso. Mesmo com o propósito de fazer uma composição constante, de batidas constantes que remetem à estabilidade, a música vai crescendo em força, emoção e ritmo nos seus quase quatro minutos. Parece inevitável, a Basia não se esforça mas consegue agarrar pela emoção. Além dessa, o destaque é Go on, faixa que é pura Basia.

E o melhor: essa roupinha country e esse rostinho de pessoa-normal mostram que não, Basia não é o clichê folk ou country-pop. É só uma garota talentosa que escreve por ímpetos e explode nas interpretações.

Contra, Vampire Weekend

Em projetos como o do Vampíre Weekend, eu sempre me pergunto: será que esses caras têm realmente prazer no que estão fazendo ou é um mero trabalho cerebral? Porque para esses nova iorquinos amigos de faculdade e armados de guitarras descerem do salto e se identificarem com soweto, dancehall, dub … bem, algo soa anormal num mundo de padrões em preto e branco.

Por sorte, Vampire Weekend é multicolorido – e é impossível acreditar que as músicas deles são meros trabalhos mentais. Horchata, do novo álbum, é bem assim: um divertido mix de influências rítmicas africanas num clima praiano americano e uma sensação de desleixo juvenil gostosa de ouvir (claro no primeiro clipe, Cousins).

Apesar disso, os caras são pretenciosos. Talvez uma das poucas pretensões que me agradem no mundo por ser tão bem sucedida. Em Contra, reconheço, eles pesaram a mão um pouco na diversidade de ritmos. Mas ao lado de Vampire weekend, o CD de estreia (2008), é possível compreender de onde vem tamanha inventividade. Só falta saber pra onde eles vão: se vão seguir aloprando nas misturas ou se o amadurecimento vem para o bem. Que rolem os dados.

Transference, Spoon

Os 16 anos de carreira do Spoon vem coroado com o reconhecimento undergroung e o mérito da originalidade. Nesse novo Transference, eles partiram do rock quase pop (refrões e guitarras básicas) dos trabalhos anteriores para uma experimentação dançante e reflexiva. Sim, tudo ao mesmo tempo.

Eles chegaram a ser comparados com Pixies e Sonic Youth após o lançamento do álbum de estreia, Telephono, e agora deixam de ser fantasmas para se reiventar e inventar um pouco mais o rock. O disco foi gravado num porão. Coisa de banda iniciante ou metida a indie, que para eles foi o nescessário para elaborar com tranquilidade as 11 faixas que compõe este CD que é ok na primeira audição, bom na segunda e agora, ouvindo (já num momento em que perdi as contas) para fazer este post, achei incrível.

Para quem quiser se aventurar, Mistery Zone e Written in reverse são um bom começo.

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Posted in artes visuais by Marina sem memória on January 27, 2010

Como todo mundo que soube da exposição d’Osgemeos vindo para o CCBB de Brasília, eu pirei. E nessa onda de babar por street art, eu sempre vi umas coisas pelos muros aqui de Brasília que me deixavam impressionada. Por uma oportunidade do jornal, conversei com o Onio, um grafiteiro do Plano Piloto, e vi que era mais que merecido tirar a cabeça de São Paulo e mergulhar um pouquinho por aqui.

http://www.flickr.com/photos/oniolands

Muro na entrada do Parque da Cidade

Há mais de 10 anos o Onio começou no grafitti por causa do movimento hip hop e do skate, segundo ele porque via umas imagens divulgadas pelas marcas da moda. Apesar de bem moderno (afinal de contas, ele está inserido numa das vertentes mais pops da arte contemporânea), ele é um tradicionalista. Gosta de começar o grafite a partir de palavras e seguir pintando até que elas se camuflem. Para ele, “as palavras são o ponto de partida do graffiti tradicional, as pessoas estão esquecendo isso”.

A marca dele são as palavras Onio (escolhida porque O, N, I são legais de serem grafadas, mas sem significado algum) e Peixe, o signo dele. Você consegue ler “Onio” no muro acima?

http://ruafestival.org

Projeto de Onio durante o RUA

Há uns cinco anos, o Onio expandiu a arte pra outras plataformas, principalmente pedaços de madeira. Daí ele começou a testar a abastração: desenhos com bordas definidas pelas cores e decoração “freestile” dentro. E, quando se sentiu seguro, passou a usar esse tipo de desenho, extremamente detalhado, nas paredes.

Só pra mostrar mais um trabalho dele, em julho o Onio participou do projeto RUA (Reflexo On Urban Art), em Rotterdam (Holanda) com mais nove brasileiros. O resultado está à direita e abaixo.

Sherlock Holmes

Posted in cinema by Marina sem memória on January 18, 2010

Blackwood, Holmes e Watson: pura testosterona. Foto: montagem sobre cartazes de divulgação.

Blackwood, Holmes e Watson: pura testosterona


Longe de ter sido influenciada pelo péssimo impacto que RocknRolla causou na minha vida – muita luz, muita informação e pouco carisma pra um filme pretensamente bem humorado. Mas parece que o Guy Ritchie está perdendo a mão. Confesso que não tenho tanto conhecimento na filmografia, mas os tempos de Snatch: porcos e diamantes e Jogos, trapaças e dois canos fumegantes (bombas de 10 anos atrás) não voltam mais.

O último filme de Ritchie, Sherlock Holmes, segue a linha rápida e modernosa de RocknRolla – trama confusa, violência estilizada, cortes rápidos e humor cirúrgico. Uma vantagem, já que o detetive mais famoso do mundo é um homem do pop, formou metade dos escritores de suspense e iluminou o noir com os holofotes da fama.

Eu fui uma leitora das histórias de Sir Conan Doyle com meus 12 anos e confesso que odiava aquela separação, quando metade da história contava o mistério sendo desvendado e a outra metade contava a vida pregressa do criminoso. Sherlock Holmes põe isso abaixo e conta uma história quase fluida, onde o mistério é revelado ao espectador no decorrer da trama. Em resumo, o filme traz um Sherlock diferente, fisicamente ágil, seguindo a pista de um bruxo que, após ir à forca, sai do túmulo e tenta dominar o mundo. Mesmo!

Uma pena que a ação, instensificada por extensas cenas de luta e fuga, suga o charme clássico do detetive e do amigo Watson e os transforma em Van Helsings e elenco de A liga extraordinária: personagens clássicos da literatura esvaziados pelo glamur dos super-heróis.

No fim, fica a sede de mais de Conan Doyle: segundos antes dos créditos, surge o nome do arquinimigo de Holmes, professor Moriarty. O gancho para uma continuação que, antes de empolgar para o próximo lançamento, abre os olhos para o bem que a volta às origens faz.

Trailer:

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Theatro musical brazileiro

Posted in teatro by Marina sem memória on January 11, 2010

Aquele Brasil do malandro, da mulata fogosa, da jovenzinha de elite sonhadora e do prícipe encantado galinhão está em Theatro Musical Brazileiro,  em cartaz no teatro do CCBB de Brasília até 24 de janeiro. O espetáculo, feito a partir da pesquisa de Luiz Antônio Martinez Corrêa em textos da era de ouro dos musicais brasileiros (1860-1914) recupera parte da cultura nacional que ficou perdida no teatro de revista, abafado pelo politicamente correto e pelo domínio da cultura americana. Podemos ver, por exemplo, quadrilha, canção, opereta, valsa, mazurca e mazurca, ritmos nada explorados hoje em dia.

Vale ver:

TMB resgata A Filha de Maria Angu, adaptação brasileira da opereta La Fille de Mme. Angot, de Charles Lecocq. Tempo feliz da infância pura, uma música pra lá de chata, esconde divertidas alfinetadas de duas amigas que recordam a infância. “Diziam que teu pai morreu dois anos antes de nasceres” foi uma ofensa inesperada.

Falando em ofensas, o Tango da mulata e do guarda civil é o berço do politicamente incorreto. Quando ela passa, o guarda civil levanta o pauzinho. Inclusa no repertório de TMB como crítica, o trecho envergonha.

Por fim, Mazurca da marca Olho é a única canção comercial no repertório. Retirada da revista Gavroche, a adaptação do ritmo polaco tenta mostrar porque os fósforos Olho são melhores que os outros. Fazem isso à moda Antártica de propaganda: a caixa de fósforos é a mulher. Para acender, os elegantes rapazes esfregam seus fósforos na bunda da garota.

Um Brasil com “Z”.

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Começando pelo começo

Posted in Uncategorized by Marina sem memória on January 11, 2010

Deve ser mania de quem já teve um milhão de blogs na adolescência, mas eu não queria (re)começar um blog assim, de supetão. Estou há dias para abrir este, sempre querendo tirar um tempo pra fazer o primeiro post, a descrição, colocar a foto etc. Pois bem, deve ser mesmo coisa de quem blogava quase no século passado, já que a ideia agora é fazer as coisas de supetão. As pessoas escrevem sem pensar no twitter, nos comentários dos grandes jornais online e assim vai.

Bom, então eu começo assim, de supetão, para ter um começo: esse é o meu blog e aqui vou colocar coisas que não quero esquecer. São resuminhos, comentariozinhos, imagenzinhas sobre filmes, teatro, música. Porquê? Um dia desses alguém que tenho em grande estima comentou sobre um filme que teríamos visto juntas há menos de um ano no cinema. Não lembrei.

Está feito o Arquivo Suspenso, obviamente para remeter àquelas pastas suspesas de escritório e porque, obviamente, ele está no ar. Se bem que hoje em dia as coisas ficam na rede, né? Bem… mais uma excentricidade
de quem blogava quase no século passado.